Deputados da situação e da oposição criticam a gestão de saúde pública


O fechamento de dez Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátrica da Santa Casa de Rondonópolis foi o estopim para que deputados de situação e oposição ao governo Pedro Taques fizessem duras criticas à atual gestão do secretário de Estado de Saúde (SES), Luiz Soares.

O deputado Sebastião Rezende (PSC), da base governista, afirmou que a unidade de saúde fechou as portas em função do atrasa salarial dos funcionários do hospital. “A crise da saúde chegou ao seu ápice. Está no fundo do poço. É preciso que a situação seja revertida com urgência. Por isso é preciso marcar uma audiência com o governador em exercício, Carlos Fávaro (PSD), é resolver essa questão”, explicou Rezende.

O deputado Professor Adriano Silva (PSB) disse que está insatisfeito com a gestão dada à saúde pública mato-grossense. Segundo ele, apesar da crise financeira e da complexidade do setor, não entende a intransigência e o autoritarismo do secretário de saúde, Luiz Soares. “É uma pessoa muito difícil. Não tem sensibilidade nem para ouvir as demandas da saúde pública de Mato Grosso. Ele se intitula o dono da Secretaria da Saúde”, afirmou Adriano.

Ainda de acordo com o professor Adriano, o hospital de Pontes e Lacerda está fechado e sem atendimento desde a semana passada. “Isso é para indignar qualquer um, mesmo sendo da base do governo, não vou ficar calado diante dessa situação. Não vou aceitar essa atitude”, disse o parlamentar.

Já em relação ao Hospital Regional de Cáceres – Antônio Fontes, o parlamentar disse que nos últimos anos está havendo um desmonte dessa unidade hospitalar. “Eles estão contratando empresas sem nenhum parâmetro legal. O Hospital Bom Samaritano de Cáceres que trata de pessoas com hanseníase está fechado por falta de sensibilidade do governo. Tudo isso porque não foi feito um contrato de apenas R$ 50 mil por mês. Faço aqui duras criticas ao secretário Luiz Soares da forma como ele está fazendo a gestão na SES.

 Já o deputado Allan Kardec (PT) afirmou que o governo está sucateando o MT Saúde dos servidores públicos. Segundo Kardec, há dez anos é credenciado ao plano. “O MT Saúde está acabando, mas todos os meses são descontados na folha de pagamento dos servidores. Esse dinheiro é descontado, mas não é repassado ao plano de saúde. Isso tem um nome, apropriação indébita. É crime cometido contra a administração pública. É preciso encontrar uma solução para isso”, explicou Kardec.

Outro deputado que aproveitou a sessão de hoje (08), para criticar a gestão da saúde pública foi o deputado Ondanir Bortolini – Nininho (PSD). Ele criticou também o fechamento das portas do Hospital Filantrópico de Rondonópolis. De acordo com Nininho, a unidade atende mais de 600 mil pessoas, de 19 municípios da região sul do estado.

“Infelizmente, o atendimento à população está suspenso. A situação é inadmissível e por falta de investimentos há risco de perdas de vida. Há vários dias venho pedindo ao governo a regularização do salário a essa instituição de saúde. Mesmo sabendo das dificuldades financeiras que o Estado vive, trabalhei para que fosse feito a repactuação correta dos recursos para essa instituição de forma a atender com dignidade a população”, disse Nininho.

A deputada Janaína Riva (PMDB) afirmou que há má gestão na saúde pública em Mato Grosso, e lembrou que existe uma convocação do secretário Luiz Soares para esclarecer a atual situação financeira da SES. Eles, os funcionários e médicos da Santa Casa de Rondonópolis, estão há quatro meses sem receber os salários. Ela disse ainda que o governo do estado deve cerca de R$ 60 milhões para a saúde cuiabana.

“Ele precisar vir aqui prestar os esclarecimentos. Na próxima semana tem um feriado, se não vier essa semana, vamos perder essa oportunidade. Caso contrário, ele virá daqui a dez dias para esclarecer sobre a gestão da saúde. A UTI já está fechada, agora foi a neonatal que foi fechada. A equipe do hospital disse que vai deixar o município se nenhuma atitude não foi tomada”, disse Riva.

O líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Dilmar Dal Bosco (DEM), disse que às vezes se sente impedido de dar uma resposta aos colegas de Parlamento por falta de compromisso da atual gestão com a saúde pública. Dal Bosco disse que a atual crise na saúde é um reflexo do governo anterior, Silval Barbosa (PMDB). Solicitou ao secretário-chefe da Casa Civil, Maxi Russi (PSB), para convidar o secretário, Luiz Soares a prestar informações sobre a gestão da saúde em Mato Grosso ao parlamentares.

“Eles ficaram devendo 14 meses de repasses à saúde a vários municípios mato-grossenses. Ficou devendo seis meses de repasses aos hospitais regionais. E o governo Taques teve que assumir essa dívida. A atual gestão teve que assumir ainda mais de R$ 300 milhões em dívidas com a saúde pública de Mato Grosso”, explicou Dal Bosco.

Por ELZIS CARVALHO

Foto por Marcos Lopes

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